A Impressão 3D na educação Deixe um comentário

Existe um movimento crescente de inclusão da Impressão 3D na educação. Escolas privadas e públicas, de todas as esferas (municipal, estadual ou federal) tem adquirido esses equipamentos e incluindo o uso em diversas disciplinas. Mas, afinal, para que serve uma impressora 3D na escola?

O  papel da BNCC – Base Nacional Comum Curricular

Não vou me alongar aqui sobre a BNCC – Base Nacional Comum Curricular – afinal isso já é lei desde dezembro de 2018, e foi debatida por 9 anos antes de ser lei. Tampouco vou abordar as questões relacionadas à quinta competência da tal BNCC, que aborda, em outras palavras, alfabetização digital.

Aqueles que como eu já passaram pela educação fundamental há algum tempo devem se lembrar dos projetos de ciências que fazíamos, vulcões de argila, planetários de isopor, eletroímãs com um prego de ferro, um cabo de força e uma pilha de 9V. Será que a impressão 3D vai matar a indústria da Argila? Um plot internacional contra bolas de isopor?

A verdade é que a impressora 3D não é responsável, ela própria, por nenhuma mudança na sala de aula. A BNCC é. Ela é uma ferramenta à mais para uma nova educação, e ela precisa de um novo modelo de aula, para que sua presença faça sentido. Uma educação baseada em projetos, onde a impressão 3D seja um catalisador de ideias dos alunos, e materialize suas criações, ao mesmo que fixa conceitos e os permite aprender em seu próprio tempo e melhor.

Através do ensino baseado em projetos, de forma multidisciplinar, os alunos podem fixar conceitos de forma muito mais permanente, e o acesso à ferramentas que os permitam experimentar com novas soluções e encontrarem seus próprios caminhos definitivamente aceleram esses processos, e quem esta dizendo isso não sou eu. É o PISA.

A influência do PISA nos projetos pedagógicos

PISA é o programa da Organização pela Cooperação e Desenvolvimento Econômico – OCDE – e atende pelo nome de Programa Internacional de Avaliação Estudantil. Uma avaliação que vai além de um teste de memória, mas que avalia o conhecimento geral dos alunos e sua capacidade de solucionar problemas através de respostas que são dissertativas e perguntas extremamente bem formuladas.

Nos últimos anos estamos assistindo uma escalada no ranking do PISA, de países que não tinham nenhuma tradição no exame, e agora lideram o mesmo. Em 2015, os 5 primeiros países, na média de pontos nos 3 exames (ciências, matemática e compreensão leitora) eram: Singapura, Hong Kong, Japão, Macau e Estônia. Ainda em 2015 a China aparecia em 10° lugar.

Já no ranking de 2018, a China aparece com 4 regiões em primeiro lugar (Beijing, Shanghai, Jiangsu e Zhejiang), em segundo lugar Singapura, em terceiro lugar China de novo com Hong Kong, e em quinto lugar Estônia. Entre 2015 e 2018 a China saltou de duas regiões no top 5, para 6 regiões no top five. Mas o que pode ter acontecido nesse meio tempo? Bom, o governo chinês decidiu adquirir quase meio milhão de impressoras 3D para colocar em todas as suas escolas. Isso, aliado a uma reforma educacional pesada, aliando conceitos de STEAM – Science, Technology, Engineering, Arts and Mathematics – uma especie de BNCC internacional, promoveu e acelerou a transformação educacional do país, e resultou nesse imenso avanço em apenas 3 anos. Claro, fruto de muito trabalho prévio e de um esforço de longo prazo, e que de forma alguma foram só as impressoras 3D que entraram em sala de aula e deram um show de aprendizado como jamais visto. Mas elas foram catalisadoras destes processos de experimentação, pelo qual os alunos aplicam conceitos e podem observar na prática, o resultado da teoria.

Algumas curiosidades sobre o PISA de 2015: 540.000 alunos fizeram o PISA, representando 29 milhões de alunos de 15 anos de 72 países participantes. Em 2018 600.000 estudantes representaram mais de 32 milhões de alunos de 15 anos de 79 países participantes. O Brasil ficou em 63° no ranking geral de 2015 e em 66° no ranking geral de 2018. Para os revanchistas de plantão, a argentina foi respectivamente 40° e 68° no ranking.

Você pode alegar que o teste não é perfeito e não leva, de fato, em consideração as diferenças sociais de cada país, e você tem razão. Você argumentar que os países mais desenvolvidos sempre serão os que irão melhor, e você quase tem razão. Para quem não se lembra, 10 anos atrás falávamos de um bloco de países em desenvolvimento para chegarem a ser “países de primeiro mundo”, e esse bloco era chamado de BRIC – Brasil, Rússia, Índia e China. Desses, ainda que nenhum tenha chegado a dar, de fato, condições de primeiro mundo aos seus moradores, não há dúvidas que a China explodiu na frente do resto de seu grupo.

E como a impressão 3D pode ser incorporada na sala de aula?

Claro, claro, onde afinal, a impressão 3D entra na sala de aula? Bom, ela e diversas outras tecnologias chegam à sala de aula para serem ferramentas de aprendizado. Em um exemplo simples, na sala de aula ideal de hoje, ao invés do professor falar “guardem seus celulares e tablets e peguem o seu livro de geografia”, ele diria, quem aqui sabe onde fica a Moldávia? Quem consegue me dar mais informações sobre a Moldávia? E os alunos saltam em buscas pela internet sobre esse país, e o professor vai orientando-os, sobre quais informações são confiáveis, quais são questionáveis, e como diferenciar uma da outra.

O futuro da educação passa por incluir as inovações tecnológicas no currículo escolar, e não seria diferente com a Impressão 3D. Atualmente já existem diversos exemplos de como as escolas podem utilizar a I3D para criar um ambiente criativo e estimular o pensamento baseado em projetos. Aqui mesmo na FilipeFlop temos produzido conteúdos educativos exclusivos demonstrando como Impressão 3D e Componentes Eletrônicos podem ser utilizados para o ensino de tecnologias que já estão mudando a forma como aprendemos e trabalhamos. A BlueBox é uma experiência de aprendizado que trabalha conteúdos complexos em linguagens simples e de forma lúdica.

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