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Lucas Lima é um jovem engenheiro e incentivador da cultura maker no Complexo do Alemão que surpreendeu a todos com a sua criatividade e inovação. Aos 24 anos, desenvolveu um modelo de impressora 3D  que utiliza sucata como estrutura, barateando o produto e tornando-o mais acessível. 

Com o sucesso da sua invenção, percebeu a incrível oportunidade de gerar impacto social na sua comunidade através da tecnologia. Para isso, criou a Startup Infill, que fabrica impressoras 3D a baixo custo e oferece cursos de capacitação e educação tecnológica e desenvolvimento da cultura maker no Complexo do Alemão. O projeto busca oferecer formações dentro do universo maker, abordando assuntos como  impressoras 3D, robótica, Arduino e Raspberry Pi. 

A FilipeFlop tem como missão ser um meio de transformação social através do movimento maker, por isso acreditamos e apoiamos iniciativas como a de Lucas Lima. 

Neste Natal, você pode fazer parte desta transformação social também!

Para cada Kit Maker Arduino ou Kit Maker Raspberry Pi Zero comprado no período de 11/12/2019 até 31/12/2019, um será doado para o projeto.

Cultura Maker no Complexo do Alemão - Apoie!

 

Vamos conhecer essa história um pouco melhor?

Lucas Lima
Foto: Jorge Soares/G1

Como tudo começou

O pontapé inicial desse projeto começa quando o formando em engenharia mecânica descobre e se encanta pelo potencial das impressoras 3D. Parecia um universo de criação mágico. Curioso, foi pesquisar modelos para compra e se deparou com uma dura realidade:

“...quando tive meu primeiro contato com uma Makerbot (modelo de impressora pesquisado), eu falei:
– Cara, preciso comprar uma!
Quando fui ver o preço no site eu falei:
-Não preciso comprar uma…
Porque uma custa algo em torno de 15 e 17 mil… Foi aí que tive a ideia, porque não trazer isso pra minha realidade?”

Se sentindo desafiado, Lucas juntou a necessidade de desenvolver seu projeto de conclusão de curso (TCC),  com a incrível possibilidade de criar uma impressora 3D a preço acessível. 

Buscando diminuir o custo da estrutura da impressora,  Lucas procurou por ferros-velhos em volta do Complexo do Alemão e do Morro do Adeus e entrou em contato com cooperativas de catadores de materiais recicláveis. Nestes lugares, encontrou máquinas de xerox e impressoras matriciais, das quais resgatou motores e algumas outras peças que serviriam de base para a construção da sua primeira impressora.  

Para o seu primeiro modelo, utilizou como referência a impressora Graber, que possui hardware aberto disponível para montagem. Mas este foi só o início, logo aperfeiçoou seus estudos e propôs sua própria versão, batizado de “Maria” em homenagem a sua mãe.

“A Maria é um modelo que eu imagino, no futuro, estar em todos os colégios públicos do Rio de Janeiro. A Maria é o meu xodó, pelo que dedico mais tempo.”

Impressora 3D sucata
Foto: Jorge Soares/G1

A Maria foi o resultado do projeto de conclusão de curso de Lucas, sendo um excelente exemplo de como um projeto acadêmico pode ser utilizado como retorno para a sociedade.

“Eu tive uma lição de vida com o meu projeto. Ele não foi somente fabricar uma impressora. Eu vi que a tecnologia está aí para todos, só não está muito bem distribuída. E eu vi que é possível devolver à minha comunidade tudo o que eu aprendi.”

A tecnologia como impacto social

O projeto de Lucas não nasceu com o intuito de ter impacto social, mas dado o seu potencial, rapidamente se tornou.

“No início, a  ideia era fazer a impressora para mim mesmo. Mas, depois, dei uma palestra em uma escola pública de São Gonçalo sobre o trabalho e percebi que poderia fazer mais. Dei 20 minutos de palestra e respondia duas horas de perguntas. Os alunos se interessaram muito”, relata.

Todo este interesse o fez perceber que o projeto da sua impressora poderia ir além, sendo muito mais que um produto. A ideia deveria crescer e se desenvolver para gerar impacto social. Foi assim que, através de programas de empreendedorismo, surgiu e foi fomentada a Startup Infill.

Por sua ousadia, criatividade e inovação, a iniciativa do jovem engenheiro logo chamou a atenção de grandes empresas e acabou conquistando vários prêmios de incentivo. Como, por exemplo, o Prêmio Iniciativa Shell Jovem, onde recebeu R$ 8 mil pela categoria principal e outros R$ 2,5 mil pela votação popular.

Infill significa preenchimento em inglês. É um termo técnico de impressão 3D, mas também representa a ideia de preencher um vazio identificado por Lucas nas comunidades por onde transita. A iniciativa, busca capacitar jovens para que estes possam trabalhar na produção e montagem das impressoras. Além disso, deve focar em educação tecnológica nas periferias.

“Eu quero ver jovens periféricos, que a sociedade não dá nada por eles e os tratam como uma simples estatística, serem desenvolvedores de tecnologia.”

Infelizmente, temos poucos representantes da periferia nos ambientes de desenvolvimento tecnológico. Na grande maioria das vezes, este espaço nem sequer é visto como possibilidade. Nesse contexto, é muito importante que existam pessoas que sirvam de referência, mostrando que sim, é possível. E para além disso, que possibilitem novas oportunidades. Lucas Lima é um exemplo de empoderamento periférico que serve de incentivo e inspiração para vários jovens do Complexo do Alemão, e porque não, do Brasil inteiro.

Sonhos e planos

Lucas Lima
Foto: Jorge Soares/G1

Os primeiros passos foram dados, mas Lucas ainda tem muito solo fértil para ser percorrido até conquistar seus sonhos.

“Eu vejo, daqui 5 ou 6 anos, as comunidades do Rio virando praticamente Wakandas, tendo jovens negros fazendo aplicativos, impressoras 3D, criando máquinas. É isso o que eu quero para minha empresa. Não é apenas fazer um produto. O que eu quero é transformação.”

O primeiro curso de capacitação deve ser ministrado no início do próximo semestre e contará com 10 vagas gratuitas. Serão abordados assuntos como robótica, Arduino e Raspberry Pi. As turmas seguintes devem ser ofertadas a preços populares.

“Serão projetos que vão ensinar os jovens a se autossustentar e a ganhar dinheiro de uma forma que não seja maçante.”

Hoje, o laboratório que Lucas utiliza para seu projeto fica instalado no alto da sua casa no Complexo do Alemão e conta com apenas 72m². Em breve, o espaço se tornará muito pequeno para os seus planos e a mudança já está sendo planejada. O polo inicial será no Complexo do Alemão, mas a ideia é que a proposta se expanda e que tenhamos vários espaços makers espalhados pelas favelas do Rio.

O projeto está crescendo, se desenvolvendo e ganhando visibilidade. Entretanto, a captação de recursos para investir em estrutura e materiais é sempre um grande desafio quando falamos de projetos sociais. Para que esse sonho se torne realidade, é necessário unir forças.

E aí, o que você achou da história do Lucas Lima? É ou não é muito inspirador? Se você se identificou com a causa e gostaria de contribuir para o desenvolvimento tecnológico e desenvolvimento da cultura maker no Complexo do Alemão, a FilipeFlop está com uma iniciativa incrível neste Natal: na compra de um Kit Maker, outro será doado para a capacitação de jovens da periferia do Alemão.  

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Um Comentário

  1. O Brasil que dá certo! Parabéns!