Arduino na educação: uma nova geração de makers

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O Arduino é uma plataforma barata, com muitas aplicações, acessível, fácil de usar e de código aberto. Esses valores fazem com que ele tenha tudo a ver com a revolução maker. O uso do Arduino na educação ajuda a preparar essa nova geração que sabe como colocar a mão na massa e incentiva a criação de novos makers. 

Neste artigo, vamos mostrar como o Arduino pode ser usado por alunos, pais e professores na educação para enriquecer o processo de aprendizagem. As possibilidades são infinitas!

Makers como protagonistas da próxima revolução industrial

Chris Anderson, físico e escritor estadunidense, autor da famosa obra “A Cauda Longa” (The Long Tail, 2006), cita em seu que: “a cultura maker é a nova Revolução Industrial”. A frase explica que na nova revolução industrial, ou na Indústria 4.0, o poder é transferido das indústrias para o consumidor. Essa ideia está ligada à lógica de autonomia e independência dos makers, que têm o poder de produzir tudo.

Engana-se quem pensa que a cultura maker é algo novo, isso porque para alguns ela não é nenhuma novidade. Ela começou a se popularizar ainda em 2005, principalmente a partir da revista Make, que era publicada nos Estados Unidos e trazia diversos projetos de DIY (“Do it yourself”, ou faça você mesmo, em português). Mas podemos dizer que esta cultura realmente ganhou poder à medida em que ferramentas ligadas ao movimento maker, como a impressora e a cortadora a laser, alcançaram valores mais acessíveis, tornando o movimento maker mais democrático e abrangente. 

Diferente do que aconteceu na primeira Revolução Industrial, a que vivemos agora é mais sutil, com mudanças graduais no dia a dia e no relacionamento da sociedade com a tecnologia. Big data, blockchain, inteligência artificial, internet das coisas são alguns conceitos que eram desconhecidos do público há poucos anos e hoje exemplificam essa mudança de paradigma. 

Por que Arduino é parte importante da revolução maker?

Criatividade, colaboração, sustentabilidade e escalabilidade são os quatro pilares que fundamentam a essência da cultura maker. Todos eles têm tudo a ver com o Arduino e tudo o que ele representa. 

Criatividade

De forma simples, o Arduino tem um grande leque de aplicabilidade. Pode ser usado desde a automação residencial, com lâmpadas que acendem com palmas ou aquecedores que se ligam quando o ambiente atinge certa temperatura, até a agricultura, com irrigadores acionados pela umidade do solo ou coberturas que surgem quando o sol está muito forte. Isso, passando por inúmeros outros cenários, como robótica, eletrônica, etc. 

O sistema Arduino possibilita a criação de soluções para diversos problemas. Com ele, os makers podem colocar em prática várias de suas ideias, basta criar. 

Colaboração

Feito em código livre, ou open source, ele é pensado para ser compartilhado e reproduzido ao máximo. O código do Arduino pode ser replicado  por qualquer pessoa, que pode, inclusive, produzir novas placas com a mesma tecnologia e vendê-las com nomes diferentes. 

Dessa maneira, é possível construir um ecossistema de colaboração que permite que cada vez mais gente tenha o conhecimento necessário para fabricar e criar através do Arduino. Esse contexto de efervescência traz benefícios como o barateamento das peças e o compartilhamento do conhecimento. 

Sustentabilidade

Produção sustentável é aquela que se preocupa com o uso consciente dos recursos naturais e com a responsabilidade social. O Arduino, além de ser baseado no compartilhamento do conhecimento, promove os valores makers de produção própria, em oposição as de escala industrial. 

Escalabilidade

A escalabilidade diz respeito à possibilidade de crescer, atender novas demandas e agregar valor sem o aumento expressivo dos custos. Tudo isso pode ser feito com o Arduino que, além de possibilitar a criação de novas soluções tecnológicas, pode ter suas funcionalidades ampliadas com o uso de shields e módulos. As novas peças podem aumentar ainda mais o cardápio de aplicações e usabilidade do Arduino, sem um aumento significativo no preço. 

Metodologia STEAM: formas de implantar a cultura maker e o Arduino na educação 

O uso do Arduino na educação é uma excelente estratégia para que os estudantes possam aprender, na prática, os conceitos abstratos que ouvem falar nas disciplinas convencionais. Esta é a base da cultura maker nas escolas: transformar os alunos em protagonistas do próprio conhecimento que colocam em prática aquilo que aprendem nas salas de aula. 

A metodologia STEAM tem esse mesmo fundamento. Pregando a união e interdisciplinaridade entre Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática, ela é um desdobramento da metodologia STEM, criada nos anos 90, nos Estados Unidos, para suprir a falta de mão de obra qualificada em Exatas no país, ainda sem a inclusão das Artes. 

No início dos anos 2000, arte, linguagem e ciências humanas passaram a fazer parte do pacote ao levar para os alunos o protagonismo da criação de soluções para problemas reais. 

Como Arduino tem sido aplicado na educação 

O Arduino tem um papel importante nessa missão. Por ter um preço acessível (as placas mais simples podem ser encontradas na faixa de R$20), ser fácil de usar e ter muitas aplicações, ele não só pode ser adquirido por muitas escolas, como também pode ser usado para diversas experiências em todas as áreas do conhecimento. 

É uma ferramenta que ajuda a empoderar os estudantes na jornada de aprendizagem, seja no Ensino Infantil, Ensino Médio, ou Faculdade. 

Qual idade certa para começar a usar o Arduino em sala de aula? 

Muita gente se pergunta qual a fase ideal para começar a usar Arduino na educação e suas usabilidades. A verdade é que ele pode ser aplicado no projeto pedagógico de crianças, adolescentes e adultos. Veja como:

Crianças

Quando as crianças começam a entender como funciona o mundo, o Arduino pode ajudar a tornar conceitos abstratos em experiências mais palpáveis. Por meio de sensores é possível, por exemplo, medir a temperatura do ambiente, a incidência de luz solar ou até mesmo os decibéis do som de uma festa.

 Com o uso da plataforma, é possível ensinar o método científico e aprimorar habilidades matemáticas e de solução de problemas com exemplos reais, que vão ajudar a despertar a curiosidade das crianças e tornar o processo de  ensino mais engajador e interessante. 

Adolescentes

Para os alunos adolescentes, o Arduino pode oferecer algumas funcionalidades um pouco mais elaboradas, como a robótica. Que aluno de Ensino Médio não teria interesse em construir o seu próprio robô em sala de aula? Com o uso de um objeto de interesse como esse, os educadores podem aproveitar para ensinar raciocínio lógico, criatividade, física, matemática, trabalho em equipe e outras habilidades diferenciais para o mercado de trabalho. 

Jovens adultos

Por falar em mercado de trabalho, as Hard Skills (e competências técnicas) ligadas à programação e eletrônica são hoje bastante procuradas por recrutadores de todos os setores industriais. Por isso, na Faculdade ou no ensino profissionalizante, o Arduino é uma ótima ferramenta de entrada para quem quer dominar esse mercado. 

Nesse contexto, o uso do Arduino na educação serve para aprofundar o conhecimento em engenharia, processamento de dados, mecatrônica e IOT (Internet of Things)

Onde buscar ideias sobre como implantar o Arduino na educação? 

Mais de 60% das crianças de hoje vão trabalhar com profissões que ainda não existem. Se, por um lado, as gerações mais novas já são nativas no universo maker, muitos educadores ainda podem ter alguma dificuldade para entender essa nova forma de ensinar e planejar suas aulas com novos conceitos. Por isso, existem muitos sites, portais e canais que podem servir como referência e trazer inspiração para o planejamento pedagógico. 

Crtl+Play

É uma escola de tecnologia para crianças. Com sede em Campinas (SP) também trabalha com a modalidade remota e tem unidades em outros estados. 

Educador maker: Primeiros passos

A aula ao vivo, oferecida pelo Instituto Federal do Espírito Santo para educadores que desejam se aprofundar na cultura maker, está disponível para ser assistida no canal do YouTube da instituição. 

Arduino Education

No próprio site da Arduino existem diversos conteúdos voltados para o uso da plana na educação. A página oferece, inclusive, vídeos tutoriais de alguns projetos que podem ser usados com objetivo pedagógico! Você pode encontrar bons exemplos ou ter insights valiosos de como começar a aplicar o Arduino no educação. 

Kits para começar

Quer começar a usar o Arduino na educação? Conheça os kits disponíveis da FilipeFlop!

Kit maker iniciante 

O kit Maker Iniciante conta com as ferramentas e peças necessárias para o desenvolvimento de projetos básicos e dá acesso a 15 aulas em nossa plataforma online.

Kits especiais

Os Kits Especiais foram criados para oferecer uma experiência maker especial que incentiva estudantes a conhecer e aprender mais sobre a cultura “faça você mesmo”. Cada projeto utiliza um ou mais componentes famosos do mundo da eletrônica e impressão 3D, tais como Arduino, Raspberry, ESP32, ESP8266, NodeMCU e outros. Implantar o Arduino junto com os Kits na educação é uma forma prática de implantar a cultura maker da forma mais prática possível 

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