Central de jogos RetroPie com Raspberry Pi 9

Uma central de jogos retrô muito simples de configurar. Essa é a descrição mais resumida do RetroPie, que vem popularizando o Raspberry Pi em todo o mundo. Hora de ver como transformar essa robusta plaquinha num sistema de emulação completo. Já falamos sobre o RetroPie com Raspberry Pi aqui no blog anteriormente (clique aqui para ver o post original), e esta é uma versão atualizada, usando o Raspberry Pi 3 e a versão mais atual do emulador.

O RetroPie suporta a emulação de diversos consoles, e é baseado no sistema RetroArch. Existem várias distribuições que se baseiam no mesmo sistema, sendo o RetroPie a mais conhecida delas e atualmente rodando na versão 4.2, lançada em 20 de março de 2017. Roda satisfatoriamente bem na versão 3 do RaspberryPi, suportando a grande maioria de consoles emulados, embora alguns jogos específicos apresentem lags e travamentos. Na Raspberry Pi Zero W , alguns sistemas não rodam devido à performance limitada, mas jogos até a geração 16 Bits (SNES e Mega Drive) e os portáteis até o GameBoy Advance rodam sem problemas.

A instalação do RetroPie pode ser feita de duas maneiras. A instalação que cobriremos será feita por meio de download de uma imagem oficial pré-configurada. É possível também instalar o RetroPie em cima de uma instalação já existente do Raspbian Stretch, distribuição Linux específica para o RaspberryPi. Esse outro tipo de instalação nem sempre é completada com êxito, além de ser mais demorada. Sua vantagem seria a utilização do RetroPie em um sistema já configurado anteriormente.

Instalação via Imagem

É a maneira mais fácil para se instalar o RetroPie com Raspberry Pi e a mais performática. Você pode baixar a imagem específica para sua placa diretamente do site do RetroPie (https://retropie.org.uk/download/) e gravá-la em um cartão microSD de, no mínimo,  4GB de armazenamento (recomendamos um cartão Classe 10). Ela já vem configurada em cima do Raspbian Stretch, sendo necessário passar a imagem pro cartão microSD utilizando um aplicativo específico. No tutorial usarei o Etcher, onde é necessário selecionar a imagem do RetroPie e qual o drive onde ela será aplicada. Clicando em Flash, o processo deve ocorrer sem problemas finalizando em poucos minutos.

Tela Etcher

Configuração do Wi-Fi

Se você utiliza um RaspberryPi Zero, ou mesmo a versão 3 e quer conectá-lo sem o auxílio de cabos, é necessário configurar a rede Wi-Fi. Para isso, ainda com o cartão inserido no computador, é preciso criar um arquivo chamado wifikeyfile.txt na raiz do cartão. Você pode ver o conteúdo do arquivo abaixo, onde NETWORK_NAME dará lugar ao nome da rede, e NETWORK_PASSWORD será a senha da mesma. Ambos os parâmetros devem permanecer entre aspas.

Após a conclusão do processo, basta inserir o cartão microSD no RaspberryPi e ligá-lo.

Configurando o RetroPie com Raspberry Pi

Quando o RetroPie é iniciado, você é levado a configurar um controle USB plugado à placa. Nesse tutorial, utilizamos o Controle USB Super Nintendo, que é totalmente compatível com o RetroPie. Caso você possua algum console mais atual, como PlayStation e Xbox, os controles também são compatíveis.

Até então, nesta instalação do RetroPie com Raspberry Pi apenas a sessão de configuração está disponível para acesso. Caso você esteja utilizando o Wi-Fi, é necessário ativar o acesso para que possamos transferir as ROMs para os respectivos sistemas. Apertando o botão A no controle de SNES (bola no PS3 e B no Xbox), chegamos à tela de configuração, onde temos que ir na ultima opção (Wi-Fi) para configurar a rede.

A tela a seguir apresenta três opções. Caso você possua um teclado conectado no dispositivo, pode escolher qualquer rede sem o auxílio da configuração no passo anterior. Se estiver apenas no controle, selecione a opção 3 (Import wifi credentials from /boot/wifikeyfile.txt). É o arquivo que criamos anteriormente, e será importado para a configuração do sistema. Caso seu controle não esteja selecionando a opção com o botão A, o Select deve resolver.

Vale notar que, na imagem acima, eu já conectei meu RetroPie à minha rede TPLink, onde ele está agora com o IP 192.168.1.24. Guarde esse valor, pois esse IP será utilizado para podermos transferir as ROMs.

Transferindo ROMs (arquivos de jogos)

No File Explorer do Windows, basta acessar o caminho de rede \\<SEU_IP>, onde, no meu caso, acessei o endereço \\192.168.1.24. Digitando na barra de caminho do File Explorer, chegamos à pasta de ROMs. Elas podem ser colocadas em seus respectivos sistemas, e, apenas as pastas que possuem ROMs, serão exibidas como sistemas no RetroPie. É possível acessar esse mesmo caminho pelo macOS e pelo Linux através do Samba.

No exemplo coloquei duas ROMs, uma de Super Nintendo, e outra de Mega Drive. Por isso agora meu sistema conta com dois consoles selecionáveis através do controle USB.

Pressionando o botão A do controle USB, a lista de ROMs daquele sistema é exibida. Pressionando novamente o mesmo botão, o jogo é carregado, e daí basta brincar!

Jogando Mario Kart 64

Observações

Para sair do jogo, é preciso apertar os botões Start e Select juntos, retornando à tela do RetroPie. O botão Start exibe um menu enquanto na tela do RetroPie para configurações do próprio sistema. Nesse menu é possível alterar a aparência da tela, adicionar novos controles, e também informações de áudio.

Falando em áudio, o som pode estar desconfigurado. Caso isso aconteça, acesse as configurações do RetroPie (o mesmo caminho onde definimos o Wi-Fi) e vá em Audio, definindo a saída de áudio como Auto.

Gostou do RetroPie com Raspberry Pi? Agora, mãos à massa pois os jogos não vão se jogar sozinhos! Comentem abaixo caso tenham dúvidas e/ou sugestões.

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9 Comentários

  1. Thanks very valuable. Will certainly share site with my pals.

  2. Putz, que coincidência. Vocês lançaram o tutorial em 14 de setembro para a versão 4.2, e a 4.3 saiu em 21 de setembro… Mas obrigado e parabéns pela iniciativa!

    1. Exatamente, isso acaba acontecendo rsrs. Mas quando é uma versão minoritária assim, as mudanças geralmente são de performance e estabilidade, então o post continua atualizado 🙂

      Muito obrigado, ficamos felizes que tenha gostado!

  3. Boa tarde, sou iniciante em Arduino. Gostaria de saber qual a linguagem mais adequada para fazer integração com o Arduino para pequenos aplicativos. Phyton pode ser uma boa opção ou PHP ou C++? Indicaram também o Delph.

    Obs: Não sou programador, mas estou me inteirando.

    1. Oi Carlos, boa tarde.

      Pra Arduino o melhor é começar com linguagem C, pois existe uma IDE (Ambiente Integrado de Desenvolvimento) pronto pra ele nessa linguagem. É bem tranquilo, uma sintaxe muito boa. Depois você pode pegar algo em Python pra estudar e avançar pro RaspberryPi. O PHP também é muito bom, mas não é muito voltado para IoT.

      Boa sorte nos códigos!

  4. Bom dia. Eu consigo instalar os jogos que rodam no RetroPie no sistema Raspian? Assim quando quiser jogar não preciso trocar de sistema operacional! Existe a possibilidade? Desde já agradeço e aguardo …

    1. Bom dia Giovane.

      É possível sim, o RetroPie roda em cima do Raspbian. É um processo mais complexo do que esse, exigindo um conhecimento maior de linha de comando Linux, por isso não foi discutido nesse post. Você pode dar uma olhada no tutorial em https://github.com/RetroPie/RetroPie-Setup/wiki/Manual-Installation (mais especificamente na parte Install RetroPie).
      É importante lembrar que o RetroPie e o Pixel (interface gráfica do Raspbian, caso não esteja na versão Lite) não conseguem rodar juntos, por isso é preciso fazer logoff do Pixel pra você poder iniciar o RetroPie.

      Divirta-se!

  5. Amigo Nintendo 64 Roda tranquilo? Não é preciso fazer um overclock, ouvi dizer que para rodar de forma bem fluida era necessário…

    1. Boa noite Kelton,

      Alguns jogos não rodam muito bem, como por exemplo, o GoldenEye 007. Não testei, mas arrisco dizer que os jogos que precisam do ExpansionPak também não dão muito certo… Enfim, depende muito do jogo, dai vai da necessidade de experimentar e ver o que você precisa.