Trabalhando com PLA e suas variantes Deixe um comentário

O PLA ou, como consta em seu “RG”, ácido polilático é sem dúvida o material mais popular dentre as entusiastas que iniciam a sua jornada pelo universo da Impressão 3D e hoje vamos aprender a extrair todo o potencial que esse material tem a oferecer. E aí, preparando para sair trabalhando com PLA? Vamos lá! 

Essa é a Snappy! Uma impressora 3d totalmente impressa em PLA equipada com mesa aquecida! Imagem – Liga 3D Brasil

O PLA é um material tão versátil e aparentemente tão simples de manipular que é igualmente fácil esquecer suas limitações e correta configuração para se obter o resultado desejado.

Pré-impressão

Antes de começar a imprimir, observe se o mesmo não apresenta anomalias tais como nós, amassados ou sinais de umidade. A umidade é a maior inimiga do filamento PLA já que, após absorver certa umidade, o mesmo fica extremamente quebradiço chegando ao ponto de tornar o trabalho inviável. 

Dica: Para corrigir problemas com umidade, basta colocar o carretel em local seco e aquecido a pelo menos 45ºC por cerca de duas horas.

Outro problema comum são os carretéis sujos. Um carretel sujo pode literalmente contaminar o hotend com detritos que poderão acabar gerando carbonização excessiva, tanto da garganta quanto do bico, gerando desde entupimentos até problemas mais graves que podem reduzir a vida útil do conjunto.

Dica: Corrigir o problema acima é bastante simples: adquira um pedaço de esponja de lavar louça nova e enrole-o em volta do filamento logo antes do mesmo chegar a extrusora, prendendo com uma abraçadeira plástica. Assim, todos os detritos ficarão retidos ali, mantendo sua máquina segura por mais tempo.

limpando o PLA

Principais configurações no software de fatiamento

A impressão com PLA é bem simples de conduzir, porém não está livre de eventuais questionamentos sobre o seu adequado fatiamento. Então, vamos visitar os ajustes mais críticos de forma que todos possam gerar peças com bons resultados na maioria das impressoras existentes no mercado e projeto RepRap.

Altura da camada

Tal ajuste vai depender muito do que se deseja fazer e do propósito da peça em questão.Lembrando que, quanto menor for a altura das camadas, menos visíveis estarão as linhas de impressão, o que é ideal para peças pequenas ou com muitos detalhes. A grande dica aqui é a primeira camada de impressão a 0,3 mm, o que irá garantir uma boa adesão da peça a mesa mesmo que esta apresente leve desnível. 

Espessura das paredes, base e topo

Por ser um material extremamente duro, podemos trabalhar com espessuras um pouco mais baixas sem que isso prejudique o projeto. A partir dos 0,8 mm já é o suficiente para obter boa resistência e economizar algum tempo de impressão (salvo se o seu projeto precisar de mais).

Dica importante: Procure deixar as paredes, topo e base com a mesma espessura, a menos que seu projeto demande diferença nesse quesito. Isto visa garantir maior integridade do conjunto. 

Preenchimento

Considerando as características do material e do seu rápido endurecimento pós impressão da camada logo abaixo, podemos utilizar sem receio, menos preenchimento. Assim, podemos preservar material sem prejudicar o projeto. Trabalhar com valores entre 5% a 15% é aceitável em boa parte dos projetos que não requerem alta resistência. 

Material

Para se obter os melhores resultados com PLA o ideal é sempre optar por temperaturas mais baixas após a primeira camada de impressão. A temperatura de 180ºC é considerado o valor mínimo seguro para o trabalho com PLA convencional. Como cada printer é única, sugiro um valor um pouco maior, como o visto na imagem acima. 

Quanto a mesa aquecida, se disponível, 60ºC é o valor considerado ideal já que o PLA convencional começa a se deformar a partir dos 58,8ºC. 

Velocidade de impressão

Dizem que se o conjunto mecânico da sua impressora consegue aceleração suficiente para manter 100 mm/s ou mais, então suas peças podem ser impressas a grandes velocidades. Mas isso não é de fato verdade. O que determina a velocidade da impressão do seu projeto são as capacidades do material que você estiver utilizando! Portanto, quanto menor for a velocidade, mais tempo a camada de baixo terá para se solidificar, garantindo assim uma grande melhora na qualidade de impressão do seu projeto! 

Refrigeração secundária

Como o PLA não é um material sensível a variações térmicas como por exemplo o HIPS e o ABS, podemos utilizar este recurso sem receio logo após a impressão da primeira camada garantindo assim o resfriamento das camadas recém impressas com maior rapidez. 

Adesão a mesa de impressão

Aqui vale a mesma regra para praticamente todos os materiais: quanto maior for o contato da peça com a mesa de impressão, maior será a base que deverá ser criada para tornar a impressão do projeto viável. Para a peça do exemplo de hoje o skirt é mais do que suficiente pois a base da peça inteira repousa sobre a mesa de impressão. 

Dica importante:  O PLA não requer material auxiliar para grudar sobre a mesa durante a impressão (desde que esteja nivelado e tenha mesa aquecida). Porém, para ganhar tempo, podemos aplicar uma fina camada de Spray PVP (spray de cabelo) sobre a mesa antes de aquecê-la para impressão. Tal ação irá evitar o descolamento da peça caso o nivelamento não esteja 100% e é obrigatório para impressoras 3D com mesa a frio. 

Agora que vimos o básico sobre o fatiamento de peças a serem impressas com PLA, que tal conhecer algumas das incríveis variações desse material? 

O PLA e seus vários “sabores” 

O PLA pode se transformar em um excelente veículo para a impressão de materiais que a princípio jamais poderiam ser utilizados em uma simples impressora 3D de tecnologia FFF, o que só aumenta a sua versatilidade e leque de serviços que podem ser prestados na área da prototipagem rápida! 

PLA Bronze

Sim, você leu absolutamente certo! Este material contém partículas de bronze na sua composição o que torna as peças feitas com o mesmo incrivelmente resistentes e com algumas particularidades referentes ao bronze em si. Além disso, o resultado visual pós-impressão é espetacular.

Trabalhando com PLA Bronze

No carretel, nota-se certa aspereza própria do material. Portanto, para trabalhar com esse tipo de PLA é necessário trocar o costumeiro bico de latão por um bico de aço.

PLA Condutivo

Trabalhando com PLA Condutivo

Um dos favoritos dos makers por ser próprio para a condução de eletricidade. Por ser abrasivo, esse tipo de filamento também demanda apenas a troca do bico da impressora por um de aço. 

PLA Fosforescente

Trabalhando com PLA Fosforescente

Ser visto na escuridão total é seu grande truque. Funciona muito bem se receber um feixe de luz potente antes de ser arremessado a escuridão. Assim como os demais é um pouco abrasivo mas o bico de latão consegue imprimir peças pequenas sem grande desgaste.

Wood PLA

Trabalhando com Wood PLA

Aaaah, um índio de madeira hein?! E aqui não é diferente: PLA com pó de madeira! O Wood PLA imprime como um PLA genérico, sem a necessidade de qualquer alteração na impressora.

High Temperature PLA

trabalhando com High Temperature PLA

High Temperature PLA, é um material similar ao tradicional, porém este após impresso e com o devido recozimento em água fervente passa a suportar temperatura de até 121ºC antes de começar a deformar, sendo bastante utilizado pela indústria automotiva e até mesmo em alguns projetos de aeronáutica. 

Gostaram de conhecer um pouco mais sobre a utilização dos filamentos baseados em PLA, e agora já quer sair trabalhando com PLA? Poste um comentário com a sua opinião ou dúvidas e não deixem de continuar nos acompanhando nesta jornada rumo ao universo da impressão 3D!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *